Cascavel, Terça-feira, 22 de maio de 2018

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Chumbo nos pombos

Uso de “arma química” no centro de Cascavel força intervenção do Paço em conflito de vizinhos

Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Meio Ambiente não tinha ainda o resultado dos exames toxicológicos nos pombos mortos na Avenida Brasil, perto da confluência com a rua Castro Alves.

A matança ocorreu 40 dias atrás e desconfia-se que o arsenal utilizado foi o carbamato, mais conhecido como “chumbinho”. Trata-se de um herbicida também usado para eliminar gatos, cães e ratos. Então foi sim, um ataque químico.

Na Síria os ataques químicos costumam ser respondidos com mísseis advindos de rasantes da força aérea americana, francesa e inglesa.

Aqui, de momento, aguarda-se um laudo e a identificação dos autores do crime ambiental. A presença de pombos na Brasil remonta os anos 1970. Inicialmente elas faziam suas ninhadas no Cine Delfim, hoje templo do Edir Macedo, na esquina com 7 de Setembro.

Os obreiros do Edir promoveram uma desinfestação ali, e os pombos migraram suas ninhadas para o edifício do finado banco Mercantil de São Paulo. Detalhe: o símbolo da Universal é um pombo.

Vamos aos personagens humanos desta batalha que faz voar pena para todo lado, literalmente. Alimentados pelo taxista Valter Evangelista, os pombos se proliferaram e aparentemente a população saiu de controle.

Evangelista chamou a imprensa para mostrar os pombos mortos. E chorou copiosamente. Ele não é uma figura muito popular entre os comerciantes da região.

A encrenca ali é longeva, tem anos de bate-boca. E já houve até vias de fato. Neste caso, a arma utilizada foi o milenar punho fechado, também conhecido como soco.
Valter Evangelista vê o pombo como um belo pássaro. Os vizinhos, menos românticos, enxergam ali não mais que um rato de asas.

Pombos podem transmitir doenças graves, como a toxoplasmose através da clamídia, uma bactéria inclemente que ataca os pulmões. Há também a proliferação de parasitas, como os piolhos.

Moradores das vizinhanças se queixam ainda do “bombardeio orgânico”, capaz de sujar fachadas, janelas e calçadas. Reclamam também de calhas entupidas pelos ninhos.

O Pitoco esteve ontem no local do ataque químico. Ainda restam muitos pombos, seguramente mais de 100 indivíduos. Isso quer dizer que o conflito está longe de um cessar fogo.

Em tempo: Corujas e gaviões são predadores de pombos. Como nenhum deles anda disponível no centro, um morador afetado decidiu instalar um gavião de cimento com as asas abertas sobre o telhado. É a solução pacífica encontrada em alternativa ao ataque químico e as vias de fato.

O que diz a lei

 Segundo a legislação, matar pássaros, seja com um trivial estilingue, seja a tiros, e mais ainda, com químicos, é expressamente proibido. A lei preconiza uma ação bem mais, digamos, fofa: o controle biológico através da coleta de ovos, associada com o uso de arapucas. Esse papel deveria ser feito pela Prefeitura.

Porém, não há concursados no Meio Ambiente para tal. Arapuca sim, tem bastante no Paço, mas não para essa finalidade. Como não veremos a Marlise da Cruz escalando telhados na Avenida Brasil para a coleta dos ovos, será preciso encontrar outra alternativa.

Em tempo: Juarez Berté nega que seu desligamento do Meio Ambiente tenha relação com os fatos. Não faz sentido que - considerando os 98 quilos do Berté distribuídos em 190 centímetros -  o Paranhos tenha ordenado ao então secretário subir no telhado do Banco Mercantil e catar os ovos dos pombos.

Viagem aos arquivos

 Quase 21 anos atrás, os pombos frequentaram o noticiário aqui no Pitoco. Exatamente no dia 16 de julho de 1997. O então secretário de Esportes, Ladir Salvi, o “Padre”, foi acusado de uma “matança” de pombos no ginásio Sergio Mauro Festugatto. Os atiradores de elite teriam utilizado espingardas de pressão para tal finalidade. “Eu quero proteger o patrimônio público, pois a gente acabava de pintar e os bichos cagavam em cima”, disse o Padre na época. A íntegra desta edição está no www.pitoco.com.br  (seção Viagem aos Arquivos).