Cascavel, Terça-feira, 22 de maio de 2018

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Beal se agiganta

Rede cresce 60% na região de Curitiba ancorada em mega centro de distribuição

Na obra “Terra, sangue e ambição: a gênese de Cascavel”, do professor Vander Piaia, há uma pérola lapidada na sagacidade do autor ao comparar o desenvolvimento cascavelense com Toledo.

Para o professor, a colonização pacífica da cidade vizinha, através da Maripá, onde até critérios étnicos podem ter sido adotados na “peneirada” inicial, priorizando agricultores de pele clara (descendentes de alemães e italianos oriundos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina) estabeleceu um diferencial importante na comparação com Cascavel.

Aqui, na “Capital do Oeste”, marcada pela disputa sangrenta da terra por grupos heterogêneos, criou-se um caldeirão étnico cujo DNA da competitividade extrema pode tê-los tornado mais agressivos no mundo dos negócios.

Charles Darwin explica: os mais aptos sobrevivem, e transmitem seus gens competitivos para seus sucessores. Lógico que isso não pode ser levado ao pé da letra no lapso temporal exíguo das jovens cidades oestinas.
Mas faz algum sentido: as famílias vencedoras, no aspecto econômico da palavra, ampliaram seus redutos para fora de Cascavel. A cidade ficou pequena para os Bigolin, Muffato, Gurgacz, Padovani, Scanagatta, entre outros.

A esses outros, podemos acrescentar os Beal. Transcorria o ano de 2003 quando os irmãos perceberam que o disputado mercado do supermercado pedia um passo mais ousado. Foi quando Carlos Beal fez as malas em direção a capital do Estado.

Lá eles estabeleceram o Festval. Era o Super Beal com outro nome e configuração. Lojas de menor metragem, atuando com os tradicionais perecíveis, mas agregando importados e adegas.

No primeiro passo, 15 anos atrás, eram duas unidades. Quando 2019 terminar, serão 11 lojas. Os irmãos Beal acabam de informar ao mercado a ativação de mais quatro lojas na região Metropolitana de Curitiba, abrindo 700 novos postos de trabalho.  “Um passo fundamental para a expansão foi a implantação do centro de distribuição”, disse Carlos Beal ao Pitoco, na última terça-feira. O CD, como é chamado neste meio, tem 27 mil metros quadrados em um terreno equivalente a 17 quadras.  Carlos Beal não aprecia ser apresentado como líder do grupo. “Somos cinco irmãos trabalhando juntos há 46 anos, e agora estamos profissionalizando a segunda geração da família para se incorporar a este time”, enfatiza.

Para além das 11 lojas na capital e entorno e as cinco em Cascavel, há previsão de uma expansão mais agressiva? Não é esse o plano dos Beal. “Não estamos preocupados com quantidade e sim com qualidade”, resume Carlos.

Para Cascavel a ordem é revitalizar. A primeira a ser completamente transformada será a unidade entre a Avenida Brasil e a rua Paraná. Ali estava sediado o antigo Catarinense, nome que remete para a seletiva colonização pacífica  toledense, que se distancia da disputa agressiva que forjou os cascavelenses....

Carlos Beal não entra na questão antropológica em seu argumento. Para ele, o segredo do grupo, tanto em Cascavel como na capital, não está restrito ao produto e sim na força do serviço. “Relacionamento com o cliente, proximidade, isso explica nossa expansão”, afirma o executivo.