Cascavel, Segunda-feira, 24 de setembro de 2018

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Exportação sob ameaça

Qual o preço que o Oeste do Paraná vai pagar na “Carne Fraca”?

Desde que levaram o “primeiro tiro” da operação “Carne Fraca”, em março de 2017, expressivas marcas de alimentos do país, vem sangrando.

Houve quem perdesse bilhões em valor de mercado na bolsa. Desde a última segunda-feira, quando a Polícia Federal desdobrou a operação, empresas do setor voltaram a enfrentar duríssimas crises de imagem.

No epicentro da operação desencadeada esta semana, estão cinco laboratórios credenciados no Ministério da Agricultura. Eles são acusados de fraudar exames em amostra de processo industrial. A sangria impõe duras perdas para todo o setor. E o Oeste do Paraná, maior produtor de aves e suínos do estado (ver gráficos), como pode blindar-se em meio ao tsunami da Carne Fraca?

O Pitoco ouviu o maior especialista paranaense em análises clínicas: o cascavelense por adoção, Alvaro Largura. Ele criou em Cascavel, 15 anos atrás, uma operação específica para análises de alimentos, incluindo água, efluentes, ambientes de frigoríficos e hospitais: o Laboratório A3Q.

Largura, doutor no assunto, percebia lá atrás, a importância que a microbiologia ganharia a partir da formação de gigantescos planteis de aves e suínos na região.

O A3Q enfretou uma maratona de certificações e licenças: Inmetro, Mapa, Reblas, Iap, Fatma, Sema e Imasul, entre outros órgãos.

Montou uma equipe multidisciplinar com engenheiros, químicos, farmacêuticos, veterinários e agrônomos, compondo um time de 56 colaboradores altamente especializados operando equipamentos de última geração.

“Quando se fala em alimentos, não há meio termo. Ou se confia, ou não se confia. E há muitos interessados mundo afora em produzir barreiras sanitárias para o Brasil. Temos marcas valiosíssimas no Oeste do Paraná neste setor. Elas, suas reputações e suas histórias não podem ficar a mercê de análises frágeis”, disse Largura.

Agora, com algumas das marcas mais tradicionais de alimentos do planeta expostas a retaliações mercadológicas em área tão sensível, empreendimentos como do oestino Alvaro Largura talvez sejam enxergados de outra maneira pelos principais executivos do agronegócio.

Ele falou

“Tenho até dó da empresa, porque ela ficou sob nosso holofote, nosso radar, passamos a fiscalizar a empresa com muita frequência. De fato a BRF fez a lição de casa, e hoje está num patamar diferenciado das demais”.
(Blairo Maggi, ministro da Agricultura, após lançamento de um sistema de logística para mapear o escoamento de produtos do agronegócio brasileiro.