Cascavel, Segunda-feira, 18 de junho de 2018

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Edgar fora do jogo?

Reprovação das contas surpreendeu o ex-prefeito

“Edgar Bueno teve suas contas reprovadas...é uma coroação desonrosa para os anos de mandato...final lamentável, que segundo a Lei da Ficha Limpa o torna inelegível e põe em risco o cargo de secretário de Estado. E indica que o poder que possa ter tido, esmaeceu qual fumaça do fogo que se apaga, relegado que foi para o vale dos ossos secos. As viúvas de Edgar ainda lavam o corpo para um funeral anunciado”.
O raciocínio acima está no editorial da “Gazeta do Paraná”, edição da última quarta-feira.  Edgar está mesmo “fora de combate”? Houve uma articulação palaciana na base aliada paranhista para legá-lo ao tal vale dos esqueletos?

O resultado da votação das contas dele, na última terça-feira, foi de fato surpreendente. Edgar sempre teve ampla maioria no Legislativo. E a composição da Câmara não mudou muito. E aí está o problema. A Câmara é sempre governista.  

Era necessário maioria qualificada (dois terços) para reprovar as contas de Edgar. “Tinha até bolão aqui entre os jornalistas, ninguém acreditava que haveria votos para a reprovação”, disse Luiz Nardelli, na manhã de ontem.

O placar do ano anterior, quando os vereadores votaram as contas de Edgar relativa ao outro período, foi 9 buenistas e 10 reprovacionistas. Na terça, Edgar precisava de apenas 7 votos. Chegou confiante, “até demais”, segundo observou um vereador paranhista. Para ele, Edgar foi arrogante ao usar o microfone, e perdeu votos em seu pronunciamento.

“O Edgar chegou moendo. Moeu nós. Ele tinha certeza dos votos e da aprovação”, disse o edil.  A “moída” custou dois votos considerados certos para o ex-alcaide: Jaime Vazatta e o peemedebista Parra. Jaime Vazatta da base edgarista. E o ex foi reprovado. Rei morto, rei posto.

Inegibilidade

Edgar está inelegível? Para o presidente da Comissão Eleitoral da OAB, Marcio Berti, o tema é controverso.  Segundo o advogado, dois atos jurídicos precisam estar presentes: a irregularidade insanável e dolosa de improbidade.

“Mesmo assim, Edgar pode questionar a decisão da Câmara no Judiciário”, alegou ele. O ex-prefeito já acionou seu advogado para tanto, Marcos Boschirolli.

O Palácio Iguaçu – que dá emprego ao ex-prefeito hoje – não se manifestou especificamente, atendo-se a declarar que Edgar permanece na secretaria de Assuntos Estratégicos. O “mercado político” cogita uma eventual candidatura dele a deputado federal.

O Paço conspirou para o cartão vermelho do ex? O líder do governo, Alécio Espinola, jura que não. Bueno perdeu uma ou outra, mas ganhou três vezes a Prefeitura de Cascavel.  Não é notícia ruim para os palacianos vê-lo de pijamas de bolinha.