Cascavel, Terça-feira, 22 de maio de 2018

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Psiquiatra da criança

Baixinhos no divã da doutora Regiane

Criança ainda, Regiane idolatrava o pai ao vê-lo salvando vidas na oncologia. O nobre ofício logo lhe despertaria a vocação. Queria ser médica também.

Decidida, deixou Cascavel ainda adolescente rumo à capital, onde cursou o ensino médio e conquistou uma disputada vaga no curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Regiane Kunz Bereza, no entanto, diferente do pai, Reno, preferiu outra especialidade, bastante rara no Brasil do interior: a psiquiatria infantil.

“Muitos transtornos de ansiedade social, aquela timidez excessiva, começam cedo, por volta de cinco ou seis anos de idade. Tratá-las antes que isso se aprofunde é imperioso”, ressalta Regiane. E tratar crianças exige um jeitinho  especial. A psiquiatra conhece bem o caminho. Após os seis anos de UFPR, ela especializou-se na área com residência médica de três anos na capital gaúcha, destacada referência do setor, e mais um ano de residência no hospital Pequeno Príncipe.

Regiane sabe muito bem que a conversa com a criança hiperativa no consultório – para ficar em um exemplo –, pode apresentar sinais trocados. Mesmo as crianças mais agitadas, mudam o comportamento diante do médico. “É preciso levar isso em conta. Por essa razão, primeiro conversamos muito com os pais e com outras pessoas do convívio, como o pessoal da escola”.

Conversar, aliás, é o verbo neste ofício. “Optei pela psiquiatria, porque é preciso dialogar muito com o paciente, entender por que ele sofre. Gosto de tratar com gente, sentar, conversar, observar, é minha aptidão”, relata a médica.

Regiane enxerga a oportunidade da saúde preventiva no tratamento de crianças com disfunções. Alterações comportamentais advindas da hiperatividade, por exemplo, geram repercussões em casa e na escola, piorando o desempenho em sala de aula.

O transtorno mal tratado também eleva a possibilidade de, na adolescência, advir o abuso de substâncias tóxicas e exposição a situações de risco. “É possível tratar antes que o problema se aprofunde”, prescreve.

O perfil do paciente
l Quando atuou no Exército Brasileiro, em Curitiba, Regiane teve a oportunidade de conversar com muita gente. Foi um aprendizado da vida prática, em um dos setores mais expostos a moléstias afetas à psiquiatria - o militar.

- Depois ela passou a atender – sempre em sua área de atuação – no Ceonc, hospital dirigido pelo pai. Agora recebe os clientes em consultório próprio montado no edifício Unique, na rua Minas Gerais.

- Pergunta que não poderia faltar: qual é o perfil médio do paciente adulto encaminhado à psiquiatria? Difuso, segundo ela, mas o - “O grau de exigência que impomos a nós mesmos, com as pessoas se cobrando demais, exigindo um mundo de permanente felicidade, é algo que explica por que há tantas pessoas com problemas com esses transtornos”, diagnostica a doutora.