Cascavel, Quinta-feira, 26 de abril de 2018

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OURO DE PEQUIM

Veja como o frango fatiado pelo haitiano no Oeste do Paraná se transforma na camioneta do fazendeiro após alimentar o chinês que fugiu da roça

Jairo Eduardo / Heinz Schmidt

Inverno no “Planeta China”, final da manhã de um dia qualquer do mês de janeiro de 2018.  Na periferia da cidade portuária de Xangai, o operário Zheng Li*, esposa e dois filhos degustam o corte preferido na China: pés de frango, meio e ponta das asas. Li é um dos 450 milhões de chineses que protagonizaram o maior êxodo rural da história. Até 2028, outros 350 milhões de chineses deixarão o campo, inebriados pelas luzes da cidade ou forçados pela casta vermelha do Partido Comunista.

A família Li não usa talheres na deliciosa tarefa. Diretamente com as mãos, eles manuseiam o pé do frango nascido 90 dias antes em Palotina, a 25 mil quilômetros de Xangai. O frango  da C.Vale cruzou oceanos em sacolejada viagem 45 dias até chegar à costa chinesa.

No frigorífico da cooperativa, que almeja abater 600 mil frangos/dia este ano, o haitiano Jean Claude * talvez nem saiba que os Li apreciam os pés de frango. O trabalho dele não dispensa “talheres”. Manuseando com habilidade uma faca Tramontina com 10 polegadas de lâmina, ele separou os pés da carcaça da ave em tacada certeira. É a família Li que paga o salário do haitiano radicado em Palotina. Também são os chineses que garantem o emprego de milhares de trabalhadores, haitianos ou não, em muitas outras cooperativas e unidades industriais da região, como a Coopavel.

A China é hoje o maior parceiro comercial do Oeste paranaense, do estado do Paraná e do Brasil. Em 2016, o intercâmbio comercial entre os dois países foi de US$ 58,49 bilhões. No ano passado,  somou US$ 64,80 bilhões. As exportações brasileiras para a China totalizaram nada menos que US$ 47,48 bilhões.

Dólar “maoista” banca o uísque

Em 13 anos, quase US$ 1 bilhão  fluiu da China para Cascavel

Nos últimos dois anos, quase 30% das exportações do município de Cascavel (grãos, carnes e derivados de carnes) tiveram como destino a República Popular da China. O dragão vermelho do Oriente injetou US$ 96,07 milhões na economia local em 2017 (o equivalente a R$ 323,75 milhões ao câmbio de 9/01/2018) e outros US$ 82,95 milhões no ano precedente. Em 13 anos, quase 1 bilhão de dólares (para ser mais exato, US$ 924,81 milhões) vindos de um país socialista ajudaram a pagar o uísque do soja-soçaite nos happy hour do Country Club de Cascavel, sem contar os efeitos colaterais sobre a economia local, como o impulso à construção civil e o incremento nas vendas de camionetões último tipo da loja do Germano Zeni.

Olhinhos puxadosdesbancam paraguaios

As exportações de Cascavel para a China começaram tímidas, tomaram impulso a partir de 2007 e desde então, entre altos e baixos, se estabeleceram como fator importante para a prosperidade deste torrão ocidental e cristão ora governado pelo evangélico Leonaldo Paranhos. O país ateu que tem a foice e o martelo como símbolo político é hoje o principal parceiro comercial do município.

Nem sempre foi assim. Ainda em 2005/2006 o Paraguai era o principal cliente de Cascavel, com importações no montante de US$ 25,90 milhões e US$ 33,29 milhões, respectivamente. Nos anos seguintes, os asiáticos e os hermanos do outro lado do Rio Paraná se revezaram disputando a primazia.

De 2014 para cá, a China se firmou como principal destino das exportações cascavelenses.  O Paraguai de don Horácio Cartes ocupa o honroso segundo lugar.  No sentido inverso, o país asiático também é um parceiro importante. Do total de US$ 174,18 milhões que Cascavel gastou em 2017 com importações, US$ 40,12 milhões (23%) foram para pagar “xing ling” vindos do outro lado do mundo.  

Coincidência ou não, foi nos anos do lulodilmosocialismo de baixos teores que a Cascavel capitalista se atrelou ao projeto hegemônico chinês como fornecedora de produtos básicos para um país que, seguindo orientação do Partido Comunista, quer se firmar como potência de primeira grandeza no cenário mundial.

Em 13 anos, as exportações de Cascavel para mais de 30 diferentes destinos totalizaram US$ 4,34 bilhões. Mais de um quinto (21%) dessa fortuna originou-se das vendas para a China. É o ouro de Pequim reluzindo na Hilux de R$ 250 mil – adesivada com a foto de Bolsonaro – dirigida pelo fazendeiro chapeludo cascavelense na recauchutada Avenida Brasil.

Caravana do Oeste fatura milhões no Oriente

19 municípios da AMOP integram o comboio exportador que empinou  R$ 1,47 bilhão na China em 2017

Dos 54 municípios que integram a AMOP (Associação dos Municípios do Oeste do Paraná), 19 registraram vendas para a China, incluindo Hong Kong, em 2017. Com Palotina e Cascavel liderando o comboio exportador, a região faturou nada menos que US$ 451,11 milhões (R$ 1,447 bilhão) em negócios com os chineses.

Esse valor corresponde mais de 8% das exportações do estado do Paraná para a potência do Oriente no período. É tanto dinheiro que daria para comprar um latifúndio de 36,1 mil hectares na região ao preço de R$ 40 mil o hectare. Ou montar uma frota de 12.480 camionetas cabine dupla ao preço de R$ 116 mil a unidade.

No sentido inverso, a China é fornecedora de produtos para praticamente todas as cidades da região. Como é o caso de Capitão Leônidas Marques e Boa Vista da Aparecida, que no ano passado importaram bens made in China no montante de US$ 675,2 mil e US$ 51,6 mil, respectivamente.

Produtos do Oeste paranaense chegam hoje aos cinco continentes. A região exporta para os principais países e blocos econômicos. São dezenas de clientes, incluindo até destinos pouco prováveis como Paquistão, Macedônia, Namíbia, Aruba e um remoto conjunto de ilhas no Oceano Índico que atende pelo nome de República das Maldivas.

Os dados da Secex - Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, mostram que em 2017, na área da AMOP, Foz do Iguaçu e Guaíra lideraram as exportações para o Paraguai, com vendas no valor de US$ 175,31 milhões e US$ 13,82 milhões, respectivamente.

Ainda no ano passado, o maior parceiro comercial da pequena Brasilândia do Sul foi Bangladesh, que comprou milho no valor de US$ 1,38 milhão. Já Diamante do Oeste exportou farináceos para a Venezuela, e a germânica Quatro Pontes acertou o tom com a terra de Bob Marley e do reggae, com vendas no total de US$ 1,50 milhão; a Jamaica foi o principal comprador do município, seguido da Argentina (US$ 1,15 milhão).

Eles “falam” mandarim

Pragmatismo nas relações comerciais com Pequim

Aqui, os CEOs de quatro gigantes do agronegócio falam da importância da turma dos olhos bem puxados para a economia regional. E repelem a tese conspiratória levantada pela tosca extrema-direita brasileira, que acredita em projeto político expansionista do comunismo perpetrado pelo PCCh.

É o caso do presidenciável, bem pontuado nas pesquisas eleitorais, Jair Bolsonaro. Ele vê com restrições o agigantamento do país comunista na economia brasileira. “A China está tomando conta do subsolo do Brasil, seremos inquilinos dos chineses”, disse o deputado, em setembro do ano passado.

Há motivos para temer o dragão? Ou se trata de nacionalismo brejeiro e provinciano? Os líderes do agronegócio regional - Alfredo Lang (C.Vale), Irineo Rodrigues (Lar), Dilvo Grolli (Coopavel) e Valter Pitol (Copacol) são bem pragmáticos nas respostas:

Alfredo Lang
“A China é um mercado em expansão. Qualquer aumento de consumo, por mínimo que seja, significa muito considerando-se a população de 1,3 bilhão de habitantes. É um mercado promissor que todo mundo disputa, então você precisa ser eficiente e oferecer produto de qualidade para se diferenciar.”

Dilvo Grolli
“O que de fato interessa em nossa visão estratégica como Nação: o regime político do cliente, ou o interesse do cliente em nosso produto? Eles, os chineses, são nossos melhores clientes. O relacionamento tem que ser de exportador com importador. O regime político deles não cabe a nós analisar e sim ao governo chinês e seu povo. Prezamos a democracia, mas sempre respeitando a autodeterminação e soberania das nações. Vou além: não só devemos aprofundar as relações com a China, como convidá-los a investir mais aqui, inclusive em nossa infraestrutura de transportes.”

Irineo Rodrigues
“É na Ásia que está mais da metade da população do mundo. Pena que está do outro lado do planeta. É longe.  Quando olhamos o globo terrestre, costumamos olhar a América e a Europa. Deveríamos olhar a Ásia. É lá que as coisas acontecem. São a segunda neste momento, mas se tornarão a maior economia global. É uma questão de tempo. Pouco tempo. A China e a Ásia terão que ser a maior aposta de nosso País e da agricultura brasileira. São pragmáticas, andam, têm disciplina e respeito. Aqui não temos rumo, só direitos.”

Valter Pitol
“A China representa oportunidade para a Copacol na exportação do frango, permitindo remunerar melhor nosso produtor. O mercado chinês é significativo para nós. A relação comercial é mais forte que a política. Para crescermos precisamos exportar. Interesses bilaterais de exportação estarão acima de discursos políticos da eleição presidencial.”

Quase um terço foi para a China
O ano de 2017 foi positivo para os exportadores paranaenses. Sustentadas pelos embarques de soja, frango, automóveis e celulose, as vendas externas do Estado cresceram quase 20% em relação ao ano anterior. Aumentaram de US$ 15,17 bilhões, em 2016, para US$ 18,08 bilhões no ano passado, segundo a  Secex. As vendas para a China (incluindo Hong Kong), principal parceiro comercial do Estado, evoluíram de US$ 3,82 bilhões (2016) para US$ 4,97 bilhões (2017). Quase um terço (27,6%) das exportações paranaenses tiveram o gigante do Oriente como destino.
As exportações para a Argentina, segundo maior mercado, aumentaram de US$ 1,53 bilhão (2016) para US$ 2,05 bilhões (2017). Os Estados Unidos, terceiro maior cliente, fizeram compras no montante de US$ 890,7 milhões, contra US$ 781,2 milhões em 2016.

Um dos maiores investimentos estrangeiros no Paraná foi feito recententemente pela China Merchants Ports. A empresa comprou 90% do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), o mais moderno do Brasil e o terceiro maior do País em volume de cargas, por R$ 2,9 bilhões.

Na área de energia, a Copel mantém uma grande parceria com a estatal chinesa State Grid, que já dura quatro anos. Por meio de um consórcio, as empresas estão atuando juntas em três grandes obras de transmissão no Brasil.

Nos refrigerados corredores do Palácio Iguaçu, a presença asiática na terra das araucárias é saudada com entusiasmo. Palavras do governador Beto Richa depois receber o embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, em 29 de setembro passado: “A China dispõe de capitais e tecnologias que estão impulsionando a infraestrutura e o desenvolvimento de diversas regiões do planeta, e acredito que terá um retorno atraente nessa potencial parceria com o Estado do Paraná. As relações estão se fortalecendo e se estreitando para interesses comuns que podem contribuir cada vez mais com o desenvolvimento econômico do Paraná e da China”.

O Palácio Iguaçu tenta despertar o interesse de investidores chineses para a construção de um novo traçado ferroviário ligando o Paraná ao Mato Grosso Sul. Segundo o governo, o projeto prevê mil quilômetros de trilhos saindo de Paranaguá e passando pelas cidades de Guarapuava, Cascavel e Guaíra, no Paraná, e seguindo até Dourados (MS).

Todos os caminhos levam à China

PCCh intensifica relações com PC do B, PT e PDT

Dizem que todos os caminhos levam a Roma. Ultimamente, também levam à China. Desde que o gigante asiático abriu suas portas para o Ocidente, dezenas de milhões de estrangeiros visitam o país todos os anos. A passeio ou a negócios, mas também - em alguns casos - com compromisso político na mochila.

Entre os que já puderam conhecer in loco o socialismo chinês  está o prefeito de Cascavel, Leonaldo Paranhos. Ainda na condição de deputado estadual, mas já ungido pelas urnas como prefeito eleito, ele integrou uma caravana parlamentar boca-livre (bancada pelos asiáticos, supõe-se) que visitou o império do Oriente no final de 2016.

Impressionado com tudo o que lhe foi dado a ver, Paranhos talvez nem tenha se dado conta da deferência que lhe foi tributada. Uma sutilidade diplomática à moda oriental: ele foi recebido por ninguém menos que Wang Yajun, ministro assistente do Departamento Internacional do Comitê Central do Partido Comunista. Uma figura em ascensão da nomenklatura vermelha, a elite dirigente do país.

O PCCh azeitou as engrenagens do Departamento Internacional e de alguns anos para cá tem intensificado as relações com partidos comunistas e outros ditos “progressistas” em todo o mundo. No Brasil, os principais interlocutores dos chineses são três siglas odiadas pelo neo-arenismo: PC do B, PT e PDT.

Em julho do ano passado, o PDT e o Partido Comunista da China promoveram no Rio de Janeiro uma reunião para discutir “a crise econômica e política do Brasil, a importância da candidatura de Ciro Gomes, em 2018, além da integração das instituições com foco no desenvolvimento social”. No mês de setembro, uma comitiva pedetista chefiada por Brizola Neto viajou à China para cumprir uma agenda de debates sobre “questões sociais, econômicas e políticas dos países”. Foi, na verdade, uma caravana multipartidária, que incluiu ainda militantes do PT e do PC do B. Segundo o portal “Vermelho”, “a delegação cumpriu no país asiático uma ampla e variada agenda de trabalho, meticulosamente organizada e executada com exemplar disciplina pelo Departamento Internacional do PCCh”.

Sob o signo da foicee do martelo

Realizado em outubro de 2017 no Grande Salão do Povo, em Pequim, o 19o Congresso Nacional do Partido Comunista da China solidificou a liderança de Xi Jinping como secretário-geral do PCCh, presidente do país, presidente da Comissão Militar Central, mentor da Escola Central do Partido (que forma os dirigentes vermelhos de alto coturno) e como mais importante membro do Comitê Permanente do Politburo, que é o órgão que de fato controla a China, acima inclusive das instâncias de governo. “Xi Jinping  é o lider mais poderoso da China desde Mao Tsé-Tung”, resume a revista “Time”, que em 2017, apesar de sua insuspeita vocação para o capitalismo, mais uma vez colocou o dirigente comunista em sua lista de personalidades do ano.

Palestra vermelha

Turma do chapéu está entre os agentes mais globalizados do planeta

Enquanto o consultor Étore Baroni mostrava um ícone com a bandeira da China projetada em um telão, dezenas de compenetrados associados da Copacol, a maioria deles usando o chapéu da cooperativa, nem piscavam os olhos.

A turma do chapéu tentava entender na palestra ministrada no dia de campo, realizado em Cafelândia na segunda semana de janeiro último, as complexas equações que determinam o preço da soja.

A todo momento aparecia o “Planeta China” na tela. Não é para menos. A nação asiática é a maior parceira comercial de 17 estados brasileiros. Do oceano de soja produzido no Brasil, mais de 114 milhões de toneladas, 50% são absorvidas no mercado interno, e metade vai para exportação.

Do montante exportado, mais de 80% vão para a China industrializar. “Perceba a estratégia do chinês”, alerta Dilvo Grolli, da Coopavel. “Eles não querem a soja esmagada, transformada em farelo ou óleo. Eles querem agregar valor lá, gerando empregos para os chineses na agroindústria”.

De volta à palestra em Cafelândia, Baroni vaticina: “A China é a segunda maior economia do planeta. Será a primeira em menos de cinco anos”. Ele explica aos agricultores que o gigante comunista, faz muito, não come criancinhas. Mas tem um apetite voraz pelos frangos produzidos no Oeste e uma obsessão pela segurança alimentar, justificada por 1,3 bilhão de bocas. É uma questão de estado e estabilidade do regime.

“A China é autossuficiente em milho, é a maior produtora de suínos do mundo e a terceira em aves. Porém, isso não é suficiente para abastecer o mercado interno deles. Temos muito espaço para vender frangos lá”, diz o palestrante.

De fato, o Oeste do Paraná põe na mesa do chinês entre 100 mil e 120 mil toneladas de frango/ano. E envia para a agroindústria chinesa processar algo como 2 milhões de toneladas de soja.

Daí por que o ícone vermelho surge a todo tempo na tela projetada para a turma do chapéu em Cafelândia. Eles, os agricultores, estão entre os agentes econômicos mais globalizados do planeta.

Não precisam falar o mandarim, idioma de seus melhores clientes, nem entender por que a turma dos olhos puxados construiu a maior de todas as muralhas ou produziu o exército de terracota, mas é recomendável que acompanhem o que passa pela cabeça dos caciques do Partido Comunista Chinês.

Quem diria que o conservador agronegócio do interior do Paraná – mesmo após a derrocada do comunismo no leste da Europa - enxergaria tantas vezes em seu cotidiano um pano de fundo vermelho ornado com foices, martelos e estrelas amarelas...

Analise

Made in Oeste do PR

Sete municípios da região fisgaram R$ 1 bi no “Planeta China” em 2017

* JandirFerrera de Lima

A China, o gigante asiático, tem fome e a região Oeste do Paraná ajuda a alimentá-la.  Por exemplo: em 2017, a China despejou mais de US$ 310 milhões (quase R$ 1 bilhão) somente nos municípios de Cascavel, Cafelândia, Foz do Iguaçu, Marechal Cândido Rondon, Medianeira, Palotina e Toledo. Isso sem contar as exportações de grãos de outros municípios da região.

 Somente Cascavel e Palotina absorveram 60% desse valor. Palotina é o maior parceiro comercial da China no Oeste do Paraná, absorvendo 39% das compras chinesas de proteína animal na região. Em segundo lugar vem Cascavel com 21% e Toledo com 15%.

Já Medianeira tem como maior cliente Hong Kong, protetorado chinês. Porem, se forem colocados nesse rol o Vietnã, a Índia, o Japão, a Coreia do Sul, Cingapura e outros tigres asiáticos, o saldo comercial do Oeste do Paraná sobe para US$500 milhões. Como a dinâmica da economia mundial se transferiu para a Ásia, demanda e recursos para absorver produtos do Oeste do Paraná não faltarão.

Essa guinada favorável ao Oeste do Paraná no quantum das exportações de proteína animal se deve a um conjunto de fatores, dentre eles: a disponibilidade de recursos naturais, a tecnificação dos produtores rurais, a qualidade dos produtos locais, a modernização das estruturas produtivas e a competitividade das cooperativas do Oeste paranaense.

E há mais espaço para o Oeste crescer nas exportações, basta ampliar a capacitação das micro e pequenas empresas para atender a Ásia não só em alimentos, mas em outros produtos que lhe fazem falta, e fortalecer a competitividade regional, como a melhoria da infraestrutura logística regional e inter-regionais, dentre outros.

A balança comercial também aponta oportunidades, dentre elas a necessidade de se produzir localmente insumos para as lavouras, criatórios e mesmo para os frigoríficos. O maior peso nas importações ainda está nos adubos e aditivos alimentícios. Ou seja, há oportunidades de negócios na pauta da balança comercial regional. E esses recursos são bem vindos num momento que as exportações são uma janela para se escapar da crise econômica que assola outras regiões do Brasil.

* JandirFerrera de Lima é Doutor em Desenvolvimento Regional (Ph.D.) pela Université du Québec (Canadá). Mestre em Economia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade de Cruz Alta (RS).