Cascavel, Domingo, 18 de fevereiro de 2018

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O aviário do Paranhos

O bom frango ao terreiro torna

O Movimento Democrático Brasileiro (MDB), era a força que polarizava o cenário eleitoral com a Arena, partido do regime militar, que depois virou PDS, PFL e hoje é o pálido Democratas. MDB x Arena ou seus sucessores faziam, nos anos 70 e 80, os duelos eleitorais que hoje confrontam PT e PSDB.
Foi naquele cenário polarizado, início dos anos 1980, que as urnas de Cascavel piaram pela primeira vez. Surgia o vereador Hermes Parcianello, o Frangão, oferecendo penugens novas a um MDB precocemente envelhecido. Lendas e mitos sempre acompanharam este personagem controverso.
Dizia-se, na época, que ele batia uma frase jamais confirmada pelo próprio: “ladrão por ladrão, vote no Frangão”.  Dizia-se também que produzia panfletos atacando a si próprio, para observar o grau de engajamento de seus correligionários em sua defesa.
Se isso faz parte do mundo das lendas urbanas ou não, fato é que Frangão revelou-se um campeão de votos. Engatou seis mandatos consecutivos de deputado federal, sempre aumentando a votação, e utilizando o pitoresco “marketing da saudade”.
Já constituído como galo alfa no terreiro político local, Frangão inspirou outros frangotes. O mais bem sucedido deles foi o então emedebista Leonaldo Paranhos da Silva. O galo e o frango , vestidos em camisas azuis de brim, transformaram outdoors da cidade em telegráficos veículos da imprensa escrita.
Como o bom galo ao terreiro torna, Parcianello passou a rondar o “aviário” do Paço. A pegada de quatro dedos e algumas penas foram avistadas primeiro no campo de terrão na região Norte. Frangão anunciava um complexo esportivo ali, bancado por emenda parlamentar.
Na foto, divulgada somente semanas depois, surgem Hermes, Paranhos e Walter, o mano frangote, que em seguida seria nomeado secretário de Esportes, em lance inesperado até para os pintainhos mais assíduos àquele gabinete no terceiro andar do Paço.
O MDB, depenado após sucessivas derrotas, está de volta ao Centro Cívico. Meio a tantas penas no ar, o Pitoco lascou a queima roupa no prefeito licenciado, a seguinte pergunta: - Você é filhote político do Frangão? Meio contrariado, Paranhos respondeu: - Sou filho da Dona Preta.


Editorial

Compartilhar o mesmo poleiro do Frangão gerou cólicas políticas em aliados do Paço, como Adelino e Kaefer. Por mais que se argumente que há quirera de milho para todos no ano eleitoral, a crina (e as esporas) do galo sempre assustam. Paranhos tem dito que trouxe os deputados (inclusive o PP, do Giacobo) para amealhar recursos federais. Na versão extraoficial, ciscou-se que o Paço fez uso da escassez de milho no terreiro franguista para amarrar o MDB e seu vasto tempo na TV no projeto reeleitoral de 2020. Có-có-ri-có...