Cascavel, Quinta-feira, 26 de abril de 2018

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Paço freia comissários

“Se esposa não é parente, imagine então a ex...”, diz Paranhos

“Político populista e marqueteiro de si próprio. Não sabe dizer não. Vai produzir o maior cabide de emprego da história de Cascavel”.  Essas eram algumas retóricas utilizadas pelos adversários de Paranhos na eleição do ano passado.
A exemplo do que fez com o Legislativo, o Pitoco vasculhou diários oficiais e outras fontes para saber se o prefeito cumpriu as “promessas eleitorais de seus adversários”, e loteou o Paço para pagar compromissos de campanha.
Para estabelecer um parâmetro, é preciso dizer que o antecessor, Edgar Bueno, manejava muito bem os tais cargos comissionados, o poder que o prefeito tem de trazer um sujeito não concursado para um emprego bem pago ou até triplicar o salário de um servidor de carreira.
Os cargos de livre nomeação são, historicamente, instrumentos para fidelizar votos na Câmara e estabelecer a tal governabilidade comprada com impostos. A sinecura é gigante: são 262 cadeiras para os comissários.
Edgar preenchia entre 220 e 230. No pico da pressão, principalmente em período eleitoral, avançou para além destes parâmetros. É o jogo.
Leonaldo Paranhos havia nomeado até novembro último, 159 comissários. Ou seja, mais de 100 cadeiras estão vagas. “Companheirinhos” de campanha, tidos como nomes certos no governo, ficaram na suplência, no banco de reservas.
Nem o primeiro escalão Paranhos completou. Ali há cinco cadeiras vazias, justamente onde estão os maiores salários do Paço. Nenhum sub-prefeito foi nomeado.
E a pressão? E a turma que “ralou” na campanha e sonhava com uma boquinha? “Tem pedido de vereador, de gente da imprensa, de empresário. Tem pedido de todo lado. Eu mostro os números e digo: amigo, sei que você merece estar aqui, mas entenda, segura um pouco”, diz Paranhos.
O prefeito perdeu amigos por não lhes promover à condição de comissários? “Investi mais tempo conversando com quem pedi para esperar, do que com os nomeados”, disse.
O “desemprego” na militância aumentou com outra decisão do Paço: comissionar servidores de carreira: são 55 concursados “tomando a cadeira” dos cabos eleitorais.
Mas, e a ex-esposa do prefeito, nomeada na Agência do Trabalhador, configura favorecimento, nepotismo? “Ela é técnica do setor. Se nem esposa é considerada parente, imagina ex...”, afirma o prefeito. Mandou bem no argumento, Paranhos, mas apenas confirmou aquela máxima: “ex-mulher é para sempre...” (brincadeirinha, tá Marlene?...)
Em tempo I: Esposa é parente? Veja o que diz a lei:  “embora sogros e cunhados sejam parentes, cônjuge não é parente. Cônjuge é cônjuge”. Se a lei se refere aos parentes mas não diz explicitamente cônjuge (ou marido/esposa), ela não se aplica ao cônjuge.  
Em tempo II: Paranhos começou exercitando o “não” entre quatro paredes. Ele não nomeou a atual esposa, Fabíola, que vem atuando voluntariamente no Provopar.

 

Editorial

A mão fechada do Paço nas nomeações apenas aumenta a responsabilidade dos ungidos, dos selecionados. E pede uma outra ação do prefeito: a exemplo da Câmara, publicar nomes, lotações e salários de todos os servidores. A transparência prometida em campanha recomenda. E, para o irmão Paranhos não cair em tentação no período eleitoral que se aproxima, que tal extinguir 50 cargos em uma canetada só? Se está funcionando sem eles, preenchê-los por que? Os pagadores de
impostos agradecem.