Cascavel, Sexta-feira, 20 de julho de 2018

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Mesa obesa e farta

Câmara dobrou gastos com comissionados

Enquanto uma barulhenta “bancada da transparência” põe lupas nos gastos da Prefeitura – em trabalho louvável de fiscalização do Executivo – o crescimento vertiginoso da folha de pagamento do Legislativo passa despercebido pelos valentes fiscais do povo.
Estudo encomendado pelo Pitoco mostra que o número de cargos de livre nomeação da presidência da Câmara – e que inclui gente que não precisou prestar concurso público para obter o cargo – mais que dobrou de dezembro de 2014 para agosto de 2017.
Eram 18 nomeados três anos atrás, um número já bastante robusto para o entorno do presidente. Na Câmara de Toledo, por exemplo, são três. Agora são incríveis 35 os cargos preenchidos pela presidência do Legislativo cascavelense.
Nesta conta há cargos cuja essencial existência para o funcionamento do Legislativo é bastante questionável, como cinco “assessores para assuntos comunitários”.
O impacto nas contas é brutal. Se em 2014 havia 32 comissionados, entre os de livre nomeação da mesa (sem concurso), servidores comissionados e gratificados  ao custo de R$ 170 mil, agora são 56 nomeados ao preço de R$ 324 mil mensais.
O inchaço explica a recente tentativa de retomar a construção de um anexo ao prédio da Câmara, já que a estrutura atual não suporta a agressiva política de geração de empregos  no Centro Cívico.
A estrutura continuou inchando em 2017. Foi criado um robusto cargo de chefe de gabinete da vice-presidência, pelo qual se paga R$ 8,5 mensais. Também este ano foi criado o indispensável cargo de assessor de liderança do bloco (!), que paga R$ 4,6 mil.
Não obstante, a mesa obesa e farta da Câmara criou este ano mais quatro cargo de assessores dos presidentes de comissões internas, função inexistente em Toledo, por exemplo, e que paga também R$ 4,6 mil por cabeça.
Incluindo 22 vereadores, já são 193 pessoas na folha de pagamento. O Legislativo de Toledo funciona com menos de um terço deste montante. Pela primeira vez, em 2017, a lagarta gorda da folha da Câmara de Cascavel passou a devorar mais de R$ 1 milhão por mês.
É tanta gente, que fica difícil monitorar. Esse ano uma das nomeadas que não precisou enfrentar um concurso público, foi filmada em sua residência durante o expediente. Só aparecia para “bater” o ponto eletrônico.  
Outro lado - O presidente da Câmara, Gugu Bueno, disse que embora os cargos surjam como de livre nomeação da mesa diretora, os servidores são designados para diversas áreas, como as comissões permanentes, que segundo ele, só existiam no papel e agora ganharam pertinência e ação. “Foram criados alguns cargos e extintos outros”, pontua Gugu.

Editorial

Os aguerridos vereadores que enfatizam o caráter fiscalizador do mandato - denunciando até bobagens como distribuição de panfletos em escolas -  antes de exigir a roçada no terreno do vizinho, precisam estar mais atentos para o matagal em seu quintal.  Se já é um absurdo a Câmara ter concursado e estabilizado na conta do pagador de impostos 75 servidores, mais ainda é nomear outros 96 sem concurso. Neste ritmo, alguém ainda sonha em um dia reduzir a carga tributária?