Cascavel, Quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

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Centenário de Cascavel

Como estará estruturada a cidade em 2052?

No mês em que celebra seu aniversário de 66 anos, Cascavel fica a 34 primaveras de seu centenário. Vale uma visita ao que está por vir, para, com base em projetos em andamentos ou em ambições históricas – mesmo que sonháticas –, colocar uns traços no ponto futuro.
Cabe dimensionar o desafio de fazer projeções em um cenário em que não conseguimos planejar nem o dia seguinte. Qual a idade dos protagonistas de hoje no ano do centenário? Bem, se não estiverem “morando” ali no Central, o prefeito Paranhos estará com 85 anos e Jorge Lange, o vice, 92.
Em seus pijamas de poá, terão muita história para contar aos bisnetos. Afinal, os vovôs viram a cidade chegar a meio milhão de habitantes e o primeiro jato de passageiros aterrissar no aeroporto regional em meados da década de 2030.
Viram a área central se deslocar da região do Calçadão para as imediações do Centro Cívico. Também presenciaram a conclusão do anel viário na década de 40, com o contorno Norte ganhando sequência a partir da BR 467, atravessando a rodovia 369 e encostando na 277 na região da Ferroeste.
Viram o trem que vem de Dourados apitando na curva da região Sul de Cascavel, que também recebe sua parte no anel rodoviário, deslocando a rodovia 10 km para fora do atual traçado da BR 277.  
Com o conjunto de obras estruturantes, a cidade ganha duas grandes avenidas, agora livres do tráfego pesado, a 277 em seu perímetro urbano na porção Sul, e a 467 entre o esvaziado Trevo Cataratas e a Jorge Lacerda.
No campo sonhático, é possível ver lá por 2050, essas duas avenidas, que já foram rodovia um dia, perfuradas por um metrô que poderá por ramais na Avenida Brasil e Tancredo Neves.
“Não será surpresa se Cascavel chegar ao centenário com entre 750 mil e um milhão de habitantes”, estima Lange, mostrando no mapa as principais intervenções previstas no rol de projetos da cidade.
Descer a detalhes em uma projeção de mais de três décadas seria tatear no escuro. Afinal, para ficar apenas no sistema viário, não sabemos nem que veículos usaremos. Já estão em testes carros voadores, como no desenho dos Jetsons.
Então, para ficar com os pés no chão, vale dizer: Cascavel continuará sendo uma bela cidade para viver e ser feliz. Empenhe-se em permanecer vivo para ver o centenário.
Em tempo: o vira-latas destas letras mal ajambradas será, no centenário, um cachorro velho, de 86 anos. Se você não vê-lo na festa secular de Cascavel, é por que o bichinho foi morar em São Luiz (São Cristovão), no Guarujá, ou virou pó, caso até lá o Beto Guilherme tenha colocado o crematório para fumacear.

Editorial

O problema de trabalhar no campo das estimativas passa por um axioma: quando imaginamos que temos respostas para tudo, mudam as perguntas. Certo mesmo é que nunca as coisas mudaram com tanta velocidade em tão escasso lapso de tempo. Talvez estejamos construindo uma cidade para automóveis, quando podemos estar caminhando para uma economia como a de Copenhague, bela capital dinamarquesa retratada no último “Globo Repórter”, onde o veículo mais usado tem apenas prosaicas duas rodas e pedal. Vale lembrar: uma década antes do centenário, os veículos movidos a petróleo estarão proibidos de circular na face civilizada do planeta. Fique vivo para ver os 100 anos de Cascavel!