Cascavel, Quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

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Aos 66, Paço ganha facelift

Paranhos diz que arrecadação é “brilhante” e “fabulosa”

Facelift é uma palavra inglesa usada para designar procedimentos cosméticos rejuvenescedores faciais. No mercado automotivo, significa modificação de estilo que permitem revigorar um modelo de carro sem precisar fazer uma reestilização completa. Seria o caso da reforma administrativa anunciada pelo Paço, esta semana, às véspera do aniversário de 66 anos da jovem senhora Cascavel?
Reformar o sistema é como consertar o motor do jumbo em pleno voo.
Talvez a comparação com um navio de cruzeiro seja mais adequada. Trata-se uma máquina lenta, igualmente pesada e densamente povoada. Como sabemos, não é possível dar cavalo de pau em cruzeiro. No caso da Prefeitura de Cascavel, é também enfrentar as dores do crescimento.
Navegando na linha do tempo, enxergamos -  no início da década de 1950 - um casarão de madeira, com não mais de 200 metros quadrados, na Avenida Brasil, perto da rua Pio XII. Era o Paço Municipal. “Não havia mais que meia dúzia de servidores e talvez uns 10 professores”, recorda-se o pioneiro Beto Pompeu.
Hoje a estrutura é hipertrofiada. O prédio que enxergamos no Centro Cívico é apenas a ponta do iceberg. Há mais de uma centena de outras estruturas, incluindo 46 contratos de aluguel de imóveis, que devoram mais de R$ 4,5 milhões/ano de locação.
A demanda de RH é insaciável. Neste momento a Prefeitura está contratando mais 429 servidores. A estimativa é abrigar outros mil a médio prazo, a maioria na saúde e na educação. Hoje a folha de pagamento tem 9,1 mil holerites.
Enxugando - A reforma administrativa anunciada esta semana – em análise na Câmara – busca organizar as abóboras com o sacolejar da carroça. O número de secretarias vem de 17 para 13. A economia estimada pela sinergia de pastas é de R$ 2 milhões/ano.
Cultura e Esporte em uma pasta só. A Seplan, anabolizada, fará planejamento e gestão. Uma espécie de “Casa Civil”, grudada no gabinete do prefeito, abrigará a estrutura de combate a corrupção e transparência. Tudo aos olhos  da Fundação Dom Cabral, contratada pelo Paço para dar economia, eficiência e transparência a embarcação de tantos navegantes.
Leonaldo Paranhos também tenciona mudar o caráter jurídico da Cettrans para autarquia de trânsito, e assim “estancar o buraco sem fundo das ações trabalhistas” (palavras dele). Vai vitaminar ainda a Secretaria Anti-Drogas, que irá incorporar a Guarda Municipal.
E o cofre? “A arrecadação foi brilhante, fabulosa”, declarou o prefeito, atribuindo o desempenho a confiança do contribuinte no novo time. “Temos 128 licitações em andamento, envolvendo mais de R$ 100 milhões. Em um período de sete dias, entre o fim deste mês e o início do outro, injetaremos R$ 53 milhões na economia com o pagamento do 13º integral adiantado dos servidores e o salário de novembro”, disse Paranhos, manejando o bisturi do facelift com singular entusiasmo.

Editorial

Há méritos em reformar o sistema? Sim, há. Seria mais cômodo deixar como está. Afinal, a arrecadação é brilhante e fabulosa. Prefeitura é negócio de baixo risco. Trabalhando pouco ou muito, o dinheiro do imposto vai cair no cofre. Mas é possível ser mais eficiente, inclusive na gestão fiscal. E isso será objeto de convênio entre a Unioeste e o Paço: reavaliar o valor dos imóveis. Cascavel arrecada uma esmola de IPTU, na comparação com municípios de porte semelhante. O carnê, portanto, também sofrerá um facelift.