Cascavel, Quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

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Lee, o japonês durão

Coronel jogou duro com MST e rebelados da PEC; e por 30 segundos não resolveu tudo na bala

Abril do ano passado. Tensão em Quedas do Iguaçu na eminência de mais um conflito entre a Araupel e o MST. A cidade vivia um clima de guerra civil.  
Era a típica missão para o coronel  Washington Lee Abe (foto). Cinco batalhões da PM no eixo Oeste/Sudoeste batem continência para este descendente de japoneses.
Lee, descrito pelo jornalista Caio Gottlieb como “Samurai” do 5º Comando Regional da Polícia Militar (CRPM),  reuniu a tropa no centro de Quedas e deu a voz de comando: “Essa guerra não é nossa. Não viemos aqui pra proteger arruaceiros. Viemos pelas famílias de bem. Pelos trabalhadores. A polícia não vai se curvar pra ninguém. Não estamos atrás de fama. Não estamos atrás de votos. Não estamos atrás de fotos. Não estamos atrás de bosta nenhuma. Viemos pra fazer o nosso trabalho. Já engolimos muitos sapos. E vamos cumprir nossa missão como sabemos fazer.”
Foi uma estocada na presença de parlamentares de esquerda, que estavam na cidade para se solidarizar ao MST. Após a ação da PM, que resultou em duas mortes, o japonês durão deu outro recado. “Pedimos para os inocentes, as pessoas desinformadas, que se afastem desses movimentos que não fazem parte da lei. A PM não vai tolerar retaliações”.
Força desproporcional, abuso de autoridade? O oficial rebate de pronto, com outra pergunta: “E como se combate a força desproporcional usada contra o cidadão de bem?”
Rebelião - Semana passada: Peniten
ciária Estadual de Cascavel em chamas novamente. Presos sobre o telhado. A cidade na mídia nacional ostentando cabeças fora dos pescoços. Rebelados se intitulando representantes de facção criminosa. Missão para o Samurai.
Lee reuniu sua tropa de choque com 200 integrantes. Engendrou com paciência oriental uma solução negociada. Na madrugada de sábado, ele avisou os interlocutores dos rebelados: “o tempo esgotou, vamos entrar com o choque”.
Os presos avisaram que iriam matar um refém. O Samurai não recuou e acionou o cronômetro. Faltando 30 segundos para a tropa abrir o caminho a bala, os rebelados se entregaram.
“Acabou a rebelião. A condição era eles entregarem os reféns e ponto final. A transferência que pediram, não entregamos. Deixamos muito claro que se houve depredação, eles vão ficar assim mesmo, se houver chuva, não é problema nosso. Não importa se o que funcionou foi a força do argumento ou o argumento da força. Importa que funcionou”.
Letal - Em recente visita a Câmara de Cascavel,  o coronel informou - citando dados da ONU - que a unidade que ele comanda é a mais letal do mundo. “Somente nos primeiros meses deste ano, foram registrados 78 confrontos armados entre a PM e bandidos aqui”, disse.
Nem precisa dizer quem levou a pior. O japonês durão não está para brincadeira.


Editorial

A firmeza do coronel na condução de conflitos lhe rendeu inimigos nos movimentos sociais e no crime organizado. Mas também reconhecimento. Um twitteiro paulista, após ler a linha de enfrentamento do coronel  no jornal “Folha de São Paulo”, postou uma foto do “Samurai” cascavelense  com a seguinte frase: “herói brasileiro”. A imagem viralizou.  A fama do comandante da polícia militar mais letal do mundo está irrompendo fronteiras.