Cascavel, Quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

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Homem de R$ 6 bilhões

Giacobo é prefeito do parlamento mais caro do planeta depois dos EUA

Morreu este ano, aos longevos 90 anos, o “Homem de 6 milhões de dólares”, série famosa dos ano 70. Martin E. Brooks era biônico na ficção, sujeito muito forte.
Já o homem de R$ 6 bilhões está vivíssimo. E forte também. Trata-se de Fernando Lúcio Giacobo, sujeito de sorte. Ele é o primeiro secretário da Câmara dos Deputados, uma espécie de prefeito do gastão e perdulário parlamento brasileiro.
Giacobo esteve em Cascavel na manhã de ontem. Mostrou os músculos e o punho de aço. “Liberou” recursos para oito campos de futebol na cidade. E acenou com R$ 7 milhões para o aeroporto.
O “prefeito” da Câmara justificou suas raras aparições por aqui com números. “Administro um orçamento de R$ 6 bilhões. O Congresso brasileiro é segundo mais caro do mundo, com 20 mil funcionários, um absurdo, uma vergonha”, disse o deputado em solenidade no Paço Municipal.
Giacobo disse também que economizou R$ 457 milhões, demitiu 380 terceirizados, e irá “degolar” outros 750 até entregar as chaves da “Prefeitura” congressista.
Embora louvável a gestão austera do 1º secretário, ele poderia ir além, com o exemplo caseiro e pessoal, reduzindo sua vasta assessoria. Como fez o jornalista  José Reguffe, senador pelo Distrito Federal.
Reguffe abriu mão dos salários extras, reduziu a verba de gabinete e o número de assessores de incríveis 55 para 12. Abriu mão da verba indenizatória, carro oficial e ressarcimento de combustível.
Abriu mão do plano de saúde (senadores tem plano vitalício extensivo aos familiares) e descartou a aposentadoria especial parlamentar.
Reguffe já havia agido assim quando deputado distrital e como deputado federal. Foi reconhecido nas urnas, sempre o mais votado.
Se o gesto dele fosse acompanhado pelos demais senadores, a economia seria de R$ 1,3 bilhão, o suficiente para duplicar duas vezes a BR 277 de Cascavel a Matelândia.
Giacobo, a exemplo dos demais pares, continua com equipe completa de assessores. Alvaro Dias, no Senado, também sugeriu reduzir o número de deputados de 513 para 404, e senadores de três para dois por estado.
Uma boa iniciativa, que poderia ser acompanhada do exemplo pessoal, reduzindo a galera lotada em seu gabinete. Nossos homens públicos até são bons de diagnóstico, conhecem a medicação, mas ruins de resolutividade. Como dizia o prefeito Odorico Paraguaçu, pródigos de iniciativas, escassos de acabativas.

Editorial

A gastança desenfreada não é privilégio do poder Legislativo. Ela se estende ao “estamento burocrático”, onde estão os salários mais elevados, protegidos por aguerrida estrutura corporativo-sindical. Quando a ministra de Temer quis dobrar seus proventos para R$ 60 mil, alegando que os R$ 30 mil que recebe sugerem um elo com o trabalho escravo, conseguiu assustar alguns desavisados. Mas para quem conhece como esta gente trata o dinheiro público, era apenas mais uma tungada entre tantas outras. Em tempo: alô novos deputáveis 2018, que
tal inspirar-se no Reguffe?