Cascavel, Sexta-feira, 24 de novembro de 2017

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Edgar sobe ao ringue

Ex-prefeito desafia Paranhos e ironiza “inauguração de semáforo”

Transcorria o último ano do milênio, 2.000. Eleição para prefeito de Cascavel. Dezenas de outdoors pela cidade estampavam a foto de uma chapa eleitoralmente “matadora”: Edgar Bueno prefeito, Paranhos vice.
As previsões se confirmaram e a dupla foi eleita para o mandato 2001/2004, em um pleito plebiscitário: havia apenas dois candidatos, Edgar e Tiago de Amorin Novaes (in memoriam).
A tarefa de fazer conviver dois leões em uma mesma jaula se anunciou desafiadora já no primeiro ano de governo. Edgar, centralizador. Paranhos, agitado, ansioso, ávido. O prefeito viajava e passava o governo para o vice na fotografia, mas levava a caneta com ele.
Secretários do “núcleo duro” do buenismo simplesmente ignoravam o prefeito interino. Edgar e Paranhos terminaram o governo rompidos em tamanha gravidade, que disputaram a Prefeitura como adversários em 2004.
Ambos foram atropelados pelo “Furacão Lísias”, que fez mais votos que Edgar e Paranhos somados. Ali se consolidava uma longa inimizade.
Desafio - Um novo round do duelo Edgar x Paranhos veio para as telas no último fim de semana. O ex-prefeito, alegando-se desprovido de espaço para se defender de ataques, segundo ele, urdidos no Paço, gravou um vídeo de sete minutos e meio.
Edgar, pessoalmente, encarregou-se de difundir o conteúdo, enviando-o em grupos de WhatsApp e nos celulares de jornalistas e influenciadores de opinião da cidade.
O principal canal eleito pelo ex para contrapor a artilharia palaciana foi o Facebook, onde o ex-prefeito contabiliza 11 mil “soldados”, contra um batalhão de mais de 100 mil seguidores do oponente Paranhos na plataforma.
Até o fechamento desta edição, o vídeo edgarista tinha 10 mil visualizações.
“Cabulosas” - No vídeo, Edgar disse que está sendo atacado diariamente por Paranhos. “Manipulam números e informações, com mentiras cabulosas e objetivo de denegrir minha imagem”, diz o ex.
Edgar contrapôs números recentes divulgados pelo Paço sobre o contrato do lixo e argumentou a respeito dos aditivos concedidos. Disse, sobre recente denúncia de pagamentos irregulares em seu governo no transporte escolar, que o levantamento foi feito por “gente que não conhece o interior do município”.
E que irá solicitar as planilhas que embasaram os números divulgados. “Parece que tudo que foi feito antes de janeiro deste ano nada vale. A cidade não existiu antes do Paranhos”, desabafa Edgar, desafiando o prefeito para um debate.
Por fim, o desafiante disse que deixou R$ 109 milhões em caixa, e que tudo que a atual administração fez até agora foi “inaugurar um semáforo e construir uma lombada que precisa ser reformada no cemitério”.
Outro lado - Através do secretário de Comunicação, Ivan Zuchi, o Paço respondeu no tom de quem não pretende polemizar. “O prefeito está em Brasília, atrás de recursos. A proposta de debate do Edgar em torno do lixo está pelo menos um ano atrasada. O debate deveria ter sido feito antes da licitação. Vamos aguardar manifestação do Ministério Público e da Justiça”, pontuou o jornalista.
Em tempo: o vice do Tiago na disputa plebiscitária do ano 2000, mencionada no texto, era o jovem engenheiro agrônomo Agassiz Linhares Neto, hoje secretário da Agricultura do Paranhos.

 

Editorial

Setores do Paço, não necessariamente o prefeito, temem enfrentar um Edgar fortalecido na insaciável busca de um quarto mandato em 2020? Certamente, sim. O ex-prefeito, de seu lado, vê corroer seu prestígio político toda vez que suspeições do mau uso da verba da educação surgem no noticiário? Também, sim. Juntando estes dois ingredientes, deduz-se que teremos ainda muitos vídeos impulsionados na rede.